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Ronaldo Caiado criticou nesta terça-feira (22) a declaração de Lula na Assembleia Geral da ONU de que o combate à corrupção continuará “implacável”. O candidato do PSD citou investigações em andamento e questionou a atuação do governo diante dos casos.
O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, criticou nesta terça-feira (22) uma declaração feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York.
Durante a fala na ONU, Lula abordou o enfrentamento ao crime organizado e afirmou:
“O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei.”
Pouco depois, Caiado reagiu nas redes sociais e questionou a declaração do presidente.
“Ouvi o Lula dizer na ONU que o combate à corrupção será implacável e que ninguém está acima da lei. Só faltou explicar por que até hoje ninguém pagou pelo escândalo dos aposentados.”
Caiado cita caso dos descontos no INSS

Uma das críticas feitas pelo candidato do PSD foi direcionada ao caso dos descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
As investigações da Operação Sem Desconto identificaram cobranças realizadas entre 2019 e 2024. A Advocacia-Geral da União informou que os valores envolvidos poderiam chegar a R$ 6,3 bilhões, embora o prejuízo efetivamente fraudulento ainda dependesse de apuração.
O governo federal adotou posteriormente um programa de ressarcimento. Segundo relatório do INSS, R$ 2,83 bilhões foram devolvidos a beneficiários durante 2025, após milhões de contestações.
Portanto, a declaração de Caiado de que ninguém teria “pago” pelo caso deve ser entendida como crítica política à responsabilização dos investigados, e não como afirmação de que não houve devolução de recursos aos aposentados.
Outras investigações foram mencionadas
Na publicação, Caiado também citou investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e Roberta Luchsinger. As apurações mencionadas tratam de suspeitas de tráfico de influência para beneficiar empresas perante órgãos públicos. Até o momento relatado pelas fontes consultadas, as investigações não haviam estabelecido se contratos foram efetivamente celebrados com o poder público.
O candidato também mencionou o senador Jaques Wagner (PT-BA) ao comentar apurações relacionadas ao Banco Master. Segundo material divulgado a partir de investigações da Polícia Federal, há suspeitas que seguem sob apuração.
Caiado ainda fez referência a encontros do banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto. Segundo as informações divulgadas, Vorcaro esteve no local em compromissos fora da agenda pública. O governo afirmou que, em três dessas ocasiões, ele não foi recebido por Lula nem por ministros.
Declaração ocorreu durante discurso na ONU

A fala que motivou a reação de Caiado fez parte de um trecho mais amplo do discurso de Lula dedicado ao crime organizado, lavagem de dinheiro e cooperação internacional.
O presidente afirmou que o governo pretende intensificar ações contra organizações criminosas e defendeu maior cooperação entre países para impedir o fluxo de armas e recursos utilizados pelo crime.
Lula também abordou temas como guerras internacionais, soberania, mudanças climáticas, inteligência artificial, redes sociais e a eleição presidencial brasileira de 2026.
Ao encerrar sua crítica, Caiado afirmou que considera insuficiente o discurso do governo sem a responsabilização dos envolvidos nos casos citados. Trata-se de posição do candidato do PSD, no contexto da disputa presidencial de 2026.

